Por exemplo, acabo de ler um destes textos falsamente triviais e super fofos que apareceu aqui para mim. Uma mãe-leitora, que estava nas nuvens, escreveu que sua pequena cria-leitora de onze anos acabara de ler um livro e estava, a cria, recomendando a ela, a mãe, este livro com todas as forças. Nesta sugestão de leitura, todo um universo próprio. Eu também estaria nas nuvens.
Quando chega, esse momento é muito especial e você tem que mostrar isso pro mundo. Se houver mais exemplos disso por aqui, adoraria lê-los.
Quando estava entrando na adolescência, minha filha leu The Great Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. É um dos meus livros prediletos e eu vivia o recomendando a ela. Na verdade, pais-leitores vivem recomendando livros pros filhos, às vez de forma sufocante — e mesmo assim a fofura do gesto é inquestionável e não ouse discordar. Pois ela leu, gostou e emendou noutras leituras, como The Picture of Dorian Gray, de Oscar Wilde e mais uma lista que deixaria qualquer pai orgulhoso, nas nuvens, planando na Via Láctea.
A partir deste caminho próprio que ela começou a trilhar, sugestões dela começaram a aparecer. Uma destas sugestões foi The Secret History, de Donna Tartt. Ela leu (e releu) e disse que eu “TINHA QUE LER” de qualquer jeito — e por um momento eu li enquanto ela mesma me observava lendo.
Eu já conhecia a autora de nome, ouvi e li boas críticas sobre ela depois do lançamento de The Goldfinch, de 2013 (minha filha nasceu em 2006), mas ainda não havia batido em mim um interesse real nesta leitura. Até minha filha dizer que eu precisava ler e que eu gostaria do livro.
Pois eu li e hoje é um dos meus prediletos e Donna Tartt uma das minhas autoras favoritas, de maneira que Tartt virou a padroeira da casa (minha esposa também leu o livro e adorou).
É um momento muito mágico quando sua cria sente que todas aquelas horas que ela passou em silêncio, com a cara num livro, também vão ser horas de prazer pros seus pais. O mais bonito disso tudo é que, por conta de tantas palavras que uma autora colocou num papel, depois da leitura a cria precisa de bem poucas para dar o recado: “Não falei que era bom?”.
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